Na newsletter passada eu comentei de uma qualidade muito forte, o Mindset. E sobre como a forma de lidar com situações adversas, pode mudar completamente o rumo que iremos tomar na vida e na carreira no Poker.
Saber perder mesmo quando éramos muito favoritos, é realmente uma habilidade. Mas além da parte psicológica, existe outro ponto decisivo para quem quer realmente evoluir nas mesas: os erros básicos técnicos e estratégicos que acabam custando caro no longo prazo. De nada adianta saber como reagir às bad beats sem ao menos ter uma estratégia sólida e vencedora.

Eu sei que você conhece alguém que diz que é tão azarado, que sempre acontece tudo de errado, e mesmo quando pega o famoso AA, ele sempre perde.
Mas a verdade é que todas as vezes que eu me deparei com esse tipo de jogador, eu via eles fazendo os mesmos erros de sempre.
Por isso, hoje eu resolvi destacar aqui os 5 erros mais comuns que iniciantes cometem e que, se não corrigidos, podem comprometer não só seus resultados, mas também a evolução no jogo.
Erro 1: Passividade
Quem me acompanha já sabe: eu bato muito nessa tecla. Uma estratégia lucrativa no poker é, por essência, uma estratégia agressiva. O jogo é construído sobre frequências. Quando você se limita a apenas dar call, ou deixa de se defender com raises contra as apostas do adversário, automaticamente está permitindo que ele ganhe dinheiro contra você — independentemente das cartas e do resultado da mão.
O caminho para inverter esse cenário é simples de entender: você precisa colocar o adversário na posição desconfortável. Deixe que seja o seu oponente quem tenha que decidir se defende ou não. Isso o obriga a pensar, a se ajustar e, muitas vezes, a cometer erros que você pode explorar. Afinal de contas pensa no que é mais fácil: enfrentar um check ou uma overbet? Quanto mais difícil a situação, maior a chance do seu adversário errar.
Cada vez que você assume o controle da mão, apostando ou aumentando, está transferindo pressão para o adversário — e é essa pressão que gera lucro no longo prazo.
Erro 2: Foldar demais
Esse é outro erro que vejo constantemente, e ele pode parecer contraintuitivo à primeira vista. A narrativa repetida por anos na comunidade é de que “os recreativos não blefam”. Mas isso não passa de uma falácia.
Quando analisamos centenas de milhões de mãos, podemos comparar o que a teoria (o famoso GTO) sugere com o que realmente acontece nas mesas. E o resultado é surpreendente: os recreativos blefam muito mais do que deveriam em situações de river.
Esse fenômeno é chamado de overblefe: quando há uma quantidade muito maior de mãos fracas sendo apostadas do que se deveria por teoria. E isso acontece de forma consistente em diversas linhas de jogo. Em geral, quanto menores forem os tamanhos de apostas utilizados no flop e no river, maior é essa discrepância.
Lembrando que em uma situação de River, contra uma aposta de 50% do pote. Nossa mão precisaria estar ganhando apenas 25% das vezes no longo prazo, para podermos pagar ela lucrativamente, ou seja, mesmo que perdendo ainda 75% das vezes nessa linha, ainda estaremos ganhando dinheiro.
Quando comecei a aplicar isso de forma consciente nas mesas, junto com o Zinhão e o Saulo, passamos a imprimir muito dinheiro contra recreativos. E não à toa: eles são a fonte de renda dos profissionais. E tudo isso acontece pelo motivo que vou te contar no erro 3:
Erro 3: Não pensar em ranges
Nós, profissionais mais experientes, orientamos constantemente que se deve pensar em ranges e não em mãos individuais. Mas, na prática, a maioria dos jogadores ainda não aplica isso corretamente.

Tabela de abertura da posição HJ: 24% (fonte: gtowizard)
O exemplo dos recreativos é perfeito para ilustrar. Eles entram em jogo, muitas vezes, com 40% a 60% das mãos. Isso significa que estão jogando praticamente o dobro de mãos em comparação com regulares (um jogador vencedor deve jogar apenas 25% das mãos em média, esse é o famoso “VPIP”)
Agora, pense comigo: se um jogador começa com um leque tão amplo, o que ele vai fazer com todas as possibilidades de mãos que não acertam nada forte até o final? Ele vai querer blefar para tentar ganhar o pote.
Essa é uma forma simples, prática e muito poderosa de pensar em ranges. Você não precisa decorar milhares de combinações para entender: quanto mais amplos são os ranges iniciais, mais mãos marginais e fracas estarão ali dentro. Logo maior também será a quantidade de blefes – é isso aqui que eu falei no final do erro 2.
Se você começa a enxergar ranges em vez de apenas mãos isoladas, sua leitura do jogo se torna mais clara, suas decisões mais consistentes e seu lucro mais sólido.
Erro 4: Ignorar o pré-jogo
Muitos subestimam esse aspecto, mas o Poker é antes de tudo um jogo de performance mental. E isso o diferencia de muitas atividades ou profissões. No Poker você pode passar horas ou dias jogando e, ao final, não apenas deixar de ganhar, mas perder dinheiro. E isso gera uma pressão enorme.
A mente humana, naturalmente, não está acostumada a lidar com tanta incerteza. Nós gostamos de segurança. E entrar em uma sessão sem preparação é como um atleta entrar em campo sem aquecimento. O risco de dispersão, falhas e perder o controle aumenta muito.
Aqui a concentração e o foco são tão importantes quanto conhecimento técnico. Afinal minimizar perdas também é ganhar. Desprezar essa preparação é abrir espaço para erros que poderiam ser evitados com alguns minutos de disciplina antes de sentar para jogar.
Erro 5: Investimentos irracionais: as greyzones
Chamamos de “greyzones ou zonas cinzentas” aquelas situações em que você não tem clareza sobre qual é a jogada correta, e apesar disso mesmo assim decide investir suas fichas. Geralmente são momentos de dúvida em potes grandes, e é exatamente aí que está o perigo: essas decisões custam caro demais.
Mas como tentar evitar ou reduzir esse erro?

A regra é clara: se você não tem muita confiança na jogada, não invista mais. Dê o fold. Marque a mão para estudar depois. Mas não arrisque fichas por insistência ou orgulho nesse momento.
Dessa forma, o caminho para a vitória está em assumir a responsabilidade sobre o próprio jogo, corrigir os pontos e transformar essas fragilidades em armas. No fim das contas, ganhar no Poker é menos sobre fazer coisas extraordinárias e mais sobre evitar os erros que podem custar caro demais. Lembre-se sempre, sua estratégia deve ser simples e eficaz. Direto ao ponto de forma cirurgicamente precisa – e é exatamente isso que vou construindo com você aqui nos e-mails.
Se você viu valor nesse conteúdo, responda esse e-mail com comentários, sugestões ou críticas, fico no aguardo,
Max Lacerda
E lembre-se: Keep learning, kid.
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