Como Estudar Poker

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Aprenda de uma vez por todas como analisar suas mãos

Antes de começar este e-mail, gostaria de compartilhar uma novidade com você: é oficial; agora meu sócio, Mateus Zinhao, também faz parte da Viver de Poker e vai dividir comigo a produção de conteúdo deste projeto que é tão importante para nós!

Se você ainda não conhece o Zinhao, clique aqui para saber mais sobre ele e segui-lo no Instagram, onde ele tem compartilhado muito conteúdo valioso sobre Poker.

Agora vamos ao assunto principal deste e-mail!

Vejo muita gente estudando Poker de maneira errada, sem saber como revisar suas mãos corretamente. Isso, para mim, é uma grande perda de tempo. Afinal de contas, se você vai tirar um período do seu dia para estudar, que seja um período produtivo e que você consiga extrair o máximo de valo desse estudo.

“Beleza Max, você já chega falando que a maioria das pessoas estudam errado, mas então me diga: como devemos estudar uma mão de poker?”

Para fazer uma análise eficaz das suas mãos de Poker, você deve seguir 3 passos, que te ajudarão a aprender e a evoluir. Para exemplificar estes passos, analisarei uma mão de um dos membros da Comunidade gratuita Viver de Poker, mostrando o que ele fez corretamente e o que ele errou.

primeiro passo é entender que toda decisão importa. Sempre que você for analisar a sua mão ou compartilhá-la com um amigo e/ou em algum grupo de estudos (como a nossa comunidade Viver de Poker, por exemplo) NUNCA vá direto ao momento em que você teve dúvida. Reconstrua todo seu processo de pensamento desde o pré-flop.

segundo passo – que inclusive é algo que vejo muita gente errando – é dar informação sobre o oponente que você estava jogando contra.

Quem era o jogador? Ele era um regular? Um recreativo agressivo? Um jogador durinho que não joga quase nenhuma mão? Você tinha alguma história com ele? Se enfrentam muito? Já se conhecem? Existem muitas coisas que podemos falar sobre algum jogador, e em um jogo de informações incompletas, como é o Poker, todo detalhe importa.

Entenda de uma vez por todas: o Poker é um jogo de pessoas; em que uma ação pode ser a melhor possível contra um tipo de jogador e a pior possível contra outro. Vejo isso acontecer diariamente. No meu dia-a-dia, várias mãos que eu blefo contra um perfil de jogador, eu nunca blefaria contra outro perfil.

terceiro e último passo é não somente pensar em uma mão específica; pense em todas as outras mãos que você ou seu adversário poderiam ter. Não use essa mão apenas para falar a si mesmo “joguei certo” ou “joguei errado”, tente sempre aprender um novo conceito com ela.

Agora que já falei sobre os 3 passos, vamos à parte prática. Vou analisar não apenas a mão do Juliano, como também a maneira que ele postou essa mão lá na Comunidade Viver de Poker. Análise em dose dupla, vamo nessa!

Como essa mão deve ser lida:

Aqui temos o site que o Juliano jogou – PokerStars; o limite que ele jogou – NL2 ou simplesmente 0.01/0.02; o número máximo de jogadores da mesa – 6 max ou seja no máximo 6 jogadores; e o tipo de jogo – Holdem, também conhecido como o nosso querido No Limit Texas Hold’em.

Logo abaixo temos a informação das posições e da quantidade de fichas que cada um dos jogadores da mesa têm. “Hero” (que significa herói em inglês) é o termo usado para identificar o jogador que joga a mão e que a esta relatando, ou seja é o ponto de vista deste jogador que iremos analisar.

Sendo assim, Juliano estava no Botão com 142 big blinds. (Uma dica: sempre analise as mãos em big blinds, como o ele fez aqui).

Agora vamos entender o que mais aconteceu na mão:

Na imagem acima identificamos que a mão do Juliano era JJ. 

Logo abaixo vemos a ação pré-flop: “fold, MP raises to 3 BB, fold, Hero raises to 9 BB, SB calls 8.5bb, fold, fold”. Vamos destrinchar isso:

O primeiro fold se refere ao primeiro jogador a falar – nesse caso o UTG – e significa que ele desistiu da mão pré-flop. O próximo jogador a falar foi o MP que deu um aumento para 3 big blinds. O jogador seguinte, o CO desistiu. E Juliano, nosso Hero, fez um reaumento para 9 big blinds.

Logo após podemos ver que o SB resolveu pagar, fazendo o que chamamos de “cold call na 3bet”, ou seja, ele pagou uma 3bet sem estar envolvido na mão. Logo após isso temos 2 folds, o que significa que os dois próximos jogadores a falarem (o Big Blind e o MP que fez o aumento preflop), foldaram.

Agora vamos ao Flop:

Temos 22 big blinds no pote e dois jogadores: o Juliano no BTN e o SB. Como o SB foi o primeiro a falar, a ação dele aparece primeiro; e nesse caso ele deu mesa, o Juliano apostou 6.5 big blinds e o SB pagou.

Vamos ao Turn:

Nesse turn 7 de copas em um pote de 35 big blinds o SB saiu apostando 12 big blinds, o Juliano fez um aumento para 38 big blinds e o SB pagou.

Vamos ao River:

Nesse K de paus em um pote de 111 big blinds, o SB saiu apostando novamente (dessa vez indo all-in) e o Juliano pagou.

Agora que entendemos o que aconteceu na mão, vamos analisar como o Juliano a relatou na comunidade:

Gosto MUITO que, antes de mais nada, ele falou sobre o perfil de quem ele estava enfrentando. Como citei no passo número 2, isso é fundamental para a análise de mão. E mesmo quando não temos informações sobre o adversário, podemos falar sobre o seu stack ou alguma ação que ele tenha feito em mãos anteriores. Mais uma vez: qualquer coisa é informação. Enquanto um stack de 100bb muitas vezes representará um regular, um stack quebrado de 62bb, por exemplo, na maioria das vezes representará um recreativo. 

Continuando…

Ele disse que mesmo tendo apenas 19 mãos, ele já percebeu que o jogador jogou 100% dessas mãos (VPIP = 100) logo este jogador, obviamente, é um maníaco (joga muito mais mãos do que deveria). 

E aqui vou, novamente, elogiar o Juliano. Quanto mais o jogador desvia do desvio padrão, menos mãos precisamos ter para colocá-lo em um perfil. Com 19 mãos temos informação mais do que o suficiente de que esse jogador está jogando muito longe do que ele deveria. 

Outro ponto que preciso destacar é que o Juliano também deu informações sobre mãos passadas desse oponente. Então, no pré-flop não tenho o que reclamar, Juliano tirou nota 10/10

Agora vamos ao Flop:

Eu, particularmente, não gosto das palavras “padrão” ou “standard” para definir alguma ação, porque se você fez determinada ação, você a fez por um motivo. Sendo assim, eu descreveria da seguinte maneira: 

“No flop apostei 1/3; essa é minha estratégia geral nessa situação por diversos motivos: primeiramente porque eu imagino que não vá ser algo muito longe do matematicamente correto e, além disso, incentivamos mais erros dos nossos adversários quando usamos esse tamanho de aposta baixo no flop”.

Mas apesar de não gostar da maneira como o Juliano descreveu a ação, eu concordo com o que ele fez.

Vamos ao Turn:

Gosto muito da forma que ele escreveu. Falou o que ele acredita que o adversário estava fazendo e deu ótimos motivos para tal; e ainda criou hipóteses sobre outras ações que o vilão poderia ter feito.

Porém, mais uma vez, eu acrescentaria algumas coisas. Falaria sobre como o meu conjunto de mãos vai querer jogar aqui no geral, ao invés de falar apenas da minha mão. Algo como:

“Aqui eu vou ter diferentes tipos de mãos chegando nessa situação: com as minhas mãos muito fortes, como é o caso do meu JJ, vou dar um aumento; com mãos médias vou apenas pagar, visto que eu acredito que ele está blefando mais do que deveria; e com as minhas mãos que não têm nenhuma equidade vou apenas desistir”

Percebe como nosso processo de pensamento fica muito mais refinado dessa forma?

Então vamos para a análise técnica:

Gosto muito desse processo de tentar colocar os adversários em um conjunto de mãos possíveis (os famosos ranges), porém contra maníacos não podemos fazer isso. Como o Juliano mesmo citou, o adversário estava jogando 100% das mãos; então quando ele o colocou apenas em um “flush draw ou straight draw”, ele ignorou diversas mãos que o oponente poderia ter, simplesmente por ser um maníaco. Mãos tão aleatórias que pensaríamos nelas na hora de construir um range, mas que ele poderia ter.

Esse processo de pensamento do Juliano é muito bom para ser usado contra jogadores regulares, que têm ranges que fazem mais sentido e que são mais previsíveis do que os ranges de um maníaco.

Analisar que “ele está jogando uma quantidade absurda de mãos pré-flop, logo ele vai chegar no turn com muitos blefes naturais no range dele, mas minha mão ainda é um pouco vulnerável, por isso devo fazer um aumento”, seria uma análise mais correta.

Agora vamos ao River:

Aqui é o ponto da análise da mão que o Juliano mais pecou, porque ele poderia ter ido mais fundo. Por que você foldaria com o Js (valete de espadas) ou o Jd (valete de ouros)? Por que o K foi um desastre?

Juliano deveria ter expandido muito mais, explicando o porque das suas conclusões. Isso o ajudaria em 2 pontos:

  1. O pensamento fica ainda mais claro 

Quando temos que destrinchar o porque das coisas que pensamos, muitas vezes encontraremos incongruências nos nossos próprios argumentos, e isso nos faz perceber que, aquilo que tínhamos como verdade, talvez não estivesse tão certo assim. Conseguimos encontrar falhas no nosso pensamento e, assim, evoluímos sem nem mesmo precisar de ajuda de alguém para isso;

  1. Caso tenha algo errado nas suas justificativas o instrutor (ou quem estiver fazendo a análise) consegue entender e corrigir o seu processo de pensamento

Se você não fala o porque de certa ação, você pode estar fazendo uma ação certa pelos motivos errados, o que não é nada bom, basicamente você pode só ter dado sorte. Mas só é possível identificar isso, quando você expõe os seus motivos.

Para finalizar, vamos à análise técnica:

Aqui temos que pagar com qualquer bluffcatcher (mãos que ganham apenas de blefes, como qualquer 1 par), pelo mesmo motivo que demos raise no turn: o vilão é um maníaco; ele tem tantas mãos possíveis no leque de mãos que, mesmo tentando não blefar, ele não vai conseguir e vai blefar demais. 

Então eu escreveria da seguinte maneira:

“Visto que o vilão é um maníaco, ele blefa mais do que deveria em praticamente todas as áreas do jogo e aqui não seria diferente. Então eu pago com qualquer mão que ganhe de blefes, no caso qualquer par – como meu JJ é um par eu pago com a certeza de que o meu call é muito lucrativo”.

Agora você já sabe como deve analisar uma mão no Poker. Trabalhoso, né? Mas lembre-se que se o Poker fosse fácil, todo mundo teria milhões de dólares de lucro acumulado nesse jogo.


Vejo você no Discord!

Abraços,

Max

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  7. Exemplos como Agressor
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  5. Exemplos – Após Check Flop Heads Up
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  7. Exemplos – Segundo Barril Heads Up
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  6. Exemplos de C-Bet Heads-Up
  7. Exemplos de C-Bet Multiway

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  1. Open Raise e Introdução ao Preflop
  2. 3bet
  3. Exemplos de Open Raise
  4. Exemplos de 3bet
  5. 4bet e 5bet
  6. Exemplos de 4bet
  7. Exemplos de 5bet
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  9. Como Jogar vs Limpers
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  2. Por que Existem os Blinds no Poker?
  3. O que são Ranges?
  4. GTO
  5. Equidade
  6. Outs
  7. Pot Odds
  8. Textura de Bordo