Sempre que um jogador profissional vai se sentar para jogar — seja num site online, num clube local ou até mesmo nos maiores eventos do mundo, como o BSOP ou a WSOP — existe uma pergunta obrigatória que ele precisa fazer antes de colocar a primeira ficha no pano:
“Quanto é o rake?”
Essa pergunta que parece simples, tem um peso enorme. É como consultar qual o juros cobrado antes de se fazer um empréstimo.
Hoje eu quero te explicar o que é a rake (taxa) nas mesas, como é cobrada e por que entender esse conceito pode te ajudar a decidir se vale a pena ou não sentar em determinada mesa de poker. E, acredite, isso tem impacto direto na sua estratégia e na sua lucratividade, principalmente se você joga cash game.
Pensa comigo: imagine que você guardou uma parte do seu salário para investir. Você colocaria numa instituição sem antes saber quanto ela cobra de taxa de administração?
Tenho certeza que não!
O rake é, basicamente, essa taxa administrativa. É o que mantém o jogo de pé. E, para os operadores — sejam eles sites online ou clubes físicos — o rake é a principal fonte de receita.
Nos torneios, essa taxa já vem embutida no valor de inscrição. Quando você entra em um torneio de $109, por exemplo, $100 vão para a premiação e $9 ficam com a casa. Ou seja, você já sabe de antemão o quanto está pagando para participar. Simples, transparente e direto.

Mas nos cash games a coisa muda um pouco de figura. A taxa é cobrada por mão jogada, e o cálculo é feito sobre o valor total do pote. Ou seja, a cada mão em que há disputa real, o site retira uma porcentagem. O detalhe é que, diferente dos torneios, essa informação não aparece tão claramente. Geralmente o rake está escondido no rodapé do site, em alguma página técnica que quase ninguém lê. Mas se você quer ser um jogador sério — e principalmente lucrativo — é seu dever procurar e entender exatamente como o rake funciona no lugar onde você joga.
Para ilustrar, a estrutura de rake da GGpoker — uma das maiores plataformas do mundo — é dividida em Low, Mid e High Stakes, e muita gente olha para isso e pensa:

“Max, está escrito ali, é 5%. Não tem mistério.”
Só que não é bem assim. Existem fatores que alteram completamente o quanto você realmente paga de rake numa mesa de cash game.
O primeiro é a porcentagem cobrada, como esse exemplo dos 5% da GGPoker. O segundo é o CAP, do inglês capped, que significa “limitado”. O CAP é o teto máximo de valor de rake que pode ser retirado de cada pote. Isso muda tudo.
“Dois sites podem cobrar a mesma porcentagem de rake, mas se um deles tem um CAP maior, você acaba pagando muito mais caro ao longo do tempo, mesmo jogando o mesmo jogo.”
Vamos usar um exemplo prático para visualizar isso melhor. No site primedope — que possui uma ferramenta excelente de comparação de estruturas de rake — podemos ver a diferença entre dois operadores populares: Winning Poker (WPN) e GGPoker, em uma mesa de high stakes $25/$50.

Na GGPoker, o rake é de 5% com cap de $25.
Na WPN, o rake também é 5%, mas com cap de apenas $3.
Isso significa que, enquanto na GGPoker o máximo retirado de um pote é $25, na WPN o máximo é $3. Em outras palavras: se o pote for de $100, a WPN tira $3. Se for de $1.000, ainda tira $3.
De acordo com essa comparação, um jogador de high stakes na GGPoker paga 3.37bb/100 de rake, enquanto na WPN esse mesmo jogador pagaria 0.44bb/100.
Em termos práticos, isso significa que o rake da GG é quase oito vezes mais caro!

Mas ainda há um fator que precisamos considerar para chegar ao rake final: o rakeback. Ele funciona como o famoso cashback que vemos em outros setores. O rakeback é a devolução de uma porcentagem do rake pago, geralmente entre 10% e 50%, e serve como incentivo para que o jogador continue colocando volume em determinado site. Em resumo, o rake final é o rake total menos o rakeback:
Rake final = (Rake – Rakeback)
Aqui entra uma armadilha comum. Muitos jogadores se empolgam com promoções que prometem altos rakebacks e acabam se iludindo com a porcentagem de retorno, sem perceber que a estrutura de rake do site é muito mais pesada.
Vamos comparar dois cenários:
Cenário A – GGpoker (5% de rake, cap de $25 e 50% de rakeback)
Rake final = 3.4 – (50%) = 1.7bb/100
Cenário B – WPN (5% de rake, cap de $3 e sem rakeback)
Rake final = 0.44 – (0%) = 0.44bb/100
Mesmo sem rakeback, a segunda sala ainda estaria cobrando menos. É por isso que olhar apenas o percentual de rakeback pode te enganar. O que importa, no fim das contas, é o rake efetivo em bb/100.
Entender isso muda completamente a forma como você escolhe onde jogar. Saber o quanto paga de rake e quanto recebe de volta te dá clareza para decidir se vale a pena ou não sentar naquela mesa. Claro que esse não deve ser o único critério de escolha, fatores como nível dos adversários, a qualidade da plataforma ou do clube e a confiança na marca também contam, mas o rake é um dos pontos que mais impactam na lucratividade a longo prazo.

No fim das contas, ela influencia diretamente no risco e recompensa para se fazer uma jogada.
O cash game é a modalidade que gera a maior receita para uma sala de poker. E esse é o preço que se paga para ter o jogo organizado e disponível. Por isso não haveria razão de um site prejudicar um ou outro jogador, afinal ele ganha uma parcela de todo mundo ali.
Mas, se você não entende o quanto está pagando, esse custo pode consumir toda sua Winrate e fazer parecer que o problema está no seu jogo, quando na verdade está numa estrutura desvantajosa.
Por isso, antes de começar qualquer sessão pare e analise: quanto esse site está realmente te cobrando? Qual é o cap? Existe rakeback? E se sim, qual é o rake efetivo em bb/100?
Saber essas respostas pode ser o que separa um jogador lucrativo de alguém que está estagnado sem nem saber exatamente o porquê. Você pode até vencer seus oponentes todos os dias. Mas se não entender o rake, estará perdendo para quem nem está jogando.
Por hoje foi isso, Keep Learning Kid!
Max Lacerda
___________________________________________________________________________________________________
Para mais conteúdos como este, me siga no Instagram.