A história de toda a minha carreira com o passo a passo da minha evolução técnica!
Oi, tudo bem com você? Espero que sim!
Prazer, eu sou o Zinhão. Quero agradecer ao meu sócio, Max Lacerda, por poder fazer parte desse projeto e quero trazer muito valor e conteúdo para você.
Talvez você já me conheça, mas se não me conhece teremos várias outras oportunidades para nos conhecermos melhor: você pode me acompanhar no Instagram ou no Youtube; na Comunidade Viver de Cash e, ainda pode encontrar as diversas entrevistas que eu já dei por aí, podcasts e todas as matérias que já saíram a meu respeito.
Esse é o primeiro post de uma série que quero trazer com o intuito de contar a minha história no Poker, dando ênfase na perspectiva da minha evolução técnica no jogo. Acho que vai ser interessante eu traçar paralelos e falar como a minha vida estava, o que eu estava jogando, como os resultados aconteceram e, principalmente, o que eu estava aprendendo enquanto traçava essa trajetória!
Eu sou um cara extremamente metódico, por isso lembro muito bem como tudo aconteceu, meus erros e acertos. Nessa série vou resumir a minha história de 10 anos como jogador profissional de Poker, contando tudo que eu aprendi e destacando os tópicos importantes em uma linha cronológica, para que você siga e se aprofunde nos temas que trarei com muito detalhe por aqui!
Tenho certeza de que assim você conseguirá evoluir mais rápido, cortando caminhos, sem precisar quebrar a cara em determinadas situações como eu quebrei. Porque sei que se tivesse alguém fazendo isso quando eu comecei, eu teria evoluído muito mais rápido!
Lá por 2008/2009 se falava muito de cash e é até engraçado como a maioria dos posts antigos do MaisEV (fórum mais lendário do poker brasileiro) eram de jogadores de cash game! É por isso que o MaisEV teve uma grande influência na minha decisão de migrar dos torneios para o cash.
Menções honrosas a: Leonardo Bueno, Leonardo Roqueiro (hoje em dia meu sócio na Metagame), Diógenes Malaquias, Ivan Santana “RoyalSalute”, Lipe Piv, kzoide, Cláudio Davino “PeixeFeliz”, Michel Henrique “maax45”, e principalmente, dois caras que se destacavam muito na época que eu migrei do MTT pro cash: LgwZ (Pedro Grochoki, um grande amigo aqui de Curitiba) e o sphinmx (o nome dele é Marlon mas eu não o conheço; mesmo assim era a maior referência técnica de cash NLHE quando eu comecei). sphinmx e o LG eram os únicos caras que jogavam a temida 500z do PokerStars, e tudo isso era muito comentado no MaisEV.
Mas quando eu comecei no cash game eram outros tempos: apesar de existir esses caras que citei anteriormente, esse meio não era muito evoluído como os torneios – que já tinham diversos times. Era algo mais fechado, mais difícil de ter acesso. Por causa disso eu tive que quebrar a cara bastante, tive que fazer muitas coisas por mim mesmo, e isso me fez ter um objetivo: quando eu atingisse um nível que me desse protagonismo para tal, eu iria ajudar no crescimento do cash game no Brasil. E hoje, sendo dono do maior time de cash game do mundo, eu tenho muito orgulho de dizer que eu consegui!
Se eu fosse resumir a minha história no Poker em uma linha do tempo, ela basicamente seria assim:
- Conheci o poker com 14 anos, através do meu irmão, no boom do moneymaker;
- Comecei a jogar com amigos aos 15 anos;
- Me aprofundei aos 16/17 anos;
- Comecei a jogar online em 2008, aos 18 anos;
- Tentei ser profissional aos 19 anos (primeiro de sit and go single table e depois de MTT’s). Não consegui, segui minha vida seguindo o poker “meio de longe” (pois tinha alguns amigos que conseguiram seguir carreira), e decidi terminar a faculdade;
- Voltei a jogar aos 24 anos, no final de 2014 pra 2015;
- Comecei nos MTT’s em 2015, joguei por um ano e migrei pro cash game em 2016;
- Comecei na NL10. Em setembro fui pra NL16 e em dezembro pra NL25. Em março de 2017 eu estava na NL50 e em setembro desse mesmo ano na NL100. Em fevereiro de 2018 eu estava na NL200, em junho de 2019 na NL500 e em setembro de 2020 na NL1k; depois já fui pra NL2k, 5k e comecei as reg battles por volta dessa época;
- Paralelamente, em outubro de 2018 eu comecei a dar aulas e em março de 2019 eu e o Saulo fundamos o BrPC (hoje Metagame).
Mas para o post de hoje nada disso importa! Porque, como eu disse, o meu foco aqui é: como foi a minha evolução TÉCNICA?
Muitas pessoas, de diversos níveis, têm acesso a essa newsletter, por isso quero gerar o máximo de valor pra todos, independente do nível em que estejam. É importante, para sua carreira no jogo, que você entenda como é a evolução técnica de um jogador; e o quanto ele consegue ir se aprofundando mais e masterizando cada vez mais o jogo. A evolução técnica no Poker nunca para!
Quando eu tentei ser profissional em 2009, eu achava que entendia alguma coisa: assistia algumas aulas e dominava os ranges préflop. Mas eu fui começar a entender e aprender Poker de verdade em 2015, quando comecei a jogar MTT para um cara chamado Alex Gelinski, aqui de Curitiba. Nessa mesma época um amigo meu (que jogava para o Midas Poker Team e que hoje é jogador do Metagame) também me auxiliou nos primeiros passos.
O que eu quero te dizer é que eu não sabia absolutamente nada, mesmo depois de ter tentado ser profissional e ter jogado recreativamente por anos. Quando você realmente aprende o poker, é um oceano de conhecimento.
Como eu comecei no MTT – que é um jogo que se joga muito short stack – o meu foco foi entender bem o pré-flop, os ranges de raise/fold, raise/call, re-steal, saber o que pagar abrindo e enfrentando um shove, ranges de 3bet, e basicamente clicava muito botão pré-flop tentando achar alguma lógica na minha cabeça.
Eu passei um ano assim. Evolui muito assistindo a vídeos de treinamento e tinha inúmeras sessões de coach com meu backer (que me ensinou muito e por isso serei eternamente grato a ele). Mas eu ainda era muito cru.
Lembro que assistíamos um jogador de cash israelense (que infelizmente não lembro o nome) que dava aula na Pokerstrategy e também as aulas de um cara que hoje é um grande amigo: Felipe Boianovsky, o Lipe Piv. Foram as aulas de cash game do Piv (que hoje é um dos maiores jogadores de MTT) que me inspiraram a fazer a transição pro cash.
A gente nem se conhecia ainda, mas eu notava que ele tinha um domínio absurdo da teoria. Ele basicamente sabia tudo que iria acontecer, entendia toda a lógica por trás das cartas, e eu pensei: “cara, se esse cara sabe isso tudo e joga cash, eu preciso jogar cash.”
Obviamente tiveram outros fatores que influenciaram na minha decisão, como a regularidade de ganhos e a rotina muito mais flexível, mas o “start” técnico veio dele. (Obrigado, meu mano, s2). E eu comecei a observar nas vídeo aulas que os jogadores de cash eram realmente muito mais técnicos, sabiam o que fazer nos pós flop.
Uma curiosidade: um ano depois da minha transição, descobri que o Piv tinha feito o contrário – ido do cash game para o MTT – e, confesso, foi um tanto quanto frustrante, lol.
Antes de migrar eu decidi fazer um teste. Eu jogava um ABI $25 de MTT’s, eu tinha começado no ABI sei lá… 3? E evoluí bastante. Para quem não entende muito, eu já jogava torneios de $109, o que definitivamente não é pouca coisa. E eu não sabia absolutamente nada de poker.
Quando eu me sentei para testar uma NL2 Zoom do Pokerstars o sentimento que eu tive era de que eu estava completamente perdido. Eu não tinha mais uma “defesa” e eu realmente me sentia indefeso jogando poker. “Quando é que eu vou ficar short aqui para começar a re-stealar e dar check shove flop?” – eu pensava, e isso simplesmente não existia mais. Eu precisei entender a lógica daquele jogo e é aí que começa, realmente, a história que eu quero contar pra vocês.
Como eu me sentia perdido, eu entendi que precisava, literalmente, entender tudo desde o começo (é perfil perfeccionista que chama?!? xD), então peguei o livro do Matthew Janda, chamado Applications of No Limit Hold’em, que, sério, é uma obra prima, e comecei a “desossá-lo”. Eu precisava entender a lógica do jogo.
Vale lembrar que isso aconteceu em dezembro de 2015 e ainda não existiam solvers. Eu estava em uma mesa com mais 5 jogadores, tem um button, um small blind, um big blind e cada um recebe duas cartas. Depois disso se virem! Criem suas estratégias e suas lógicas. Só isso é extremamente simples e extremamente complexo ao mesmo tempo.
Pqp, o poker é foda demais, não?
Meu primeiro passo foi: o que eu faço nesse pré-flop? Quais mãos eu jogo e por quê? Com o livro do Janda eu aprendi a parte matemática e lógica do pré-flop. E quando eu digo isso é aprender mesmo, não é decorar.
Se você me perguntar agora quantos blefes para cada valor existe num range de 4bet, eu vou demorar alguns segundos para te responder e não saberei de bate pronto; mas eu sei te explicar a lógica do pensamento por trás e ao consultar minhas anotações, lembrarei para te explicar. E vou entender as frequências e os ranges na hora de jogar. Esse é o passo mais importante.
Eu passei um mês criando minhas estratégias, fazendo planilha em cima de planilha para que eu pudesse entender e me sentir seguro quanto àquilo. Deu certo. Tudo na minha mente estava mais claro e as coisas agora faziam sentido.
Spoiler alert tho: os ranges que eu criei não faziam mais tanto sentido na prática e não eram bem aquilo, mas isso me ajuda até hoje, quase 10 anos depois, a sempre ter essa lembrança e pensar “range polarizado joga assim; range linear joga assim; existem alguns fatores que fazem as coisas se misturarem ali no meio, mas a lógica é essa”.
Só entendendo mais o pré-flop + minha experiência em clicar botões em MTT, eu fui pro jogo. Começou legal, eu já me sentia muito mais seguro e já ficava breakeven numa NL10, mas eu ainda não sabia nada. Aí eu parei e voltei a estudar o livro do Janda e entender todas as interações pósflop.
Aqui eu também tomei uma decisão muito correta na minha carreira: peguei 25 buy-ins de NL10 ($250) e comprei um Solver. Eu tinha um notebook de 6gb ram e comprei um solver. O uso era bem limitado mas eu já conseguia entender as coisas. Comecei a aplicar o que eu conseguia mimicar do GTO + os entendimentos do livro do Janda, e mesmo as coisas não dando tão certo assim, eu consegui subir da NL10 pra NL16 e da NL16 pra NL25.
Foi aí eu que eu tive a sorte/competência de me deparar com o conteúdo do Nick Howard; e as coisas realmente andaram na minha carreira.
Mas peraí, antes de falar sobre isso, vamos recapitular os momentos importantes do meu aprendizado no poker até aqui:
- Ranges pré-flop e interações pré-flop de MTT;
- Ranges pré-flop de cash game, frequências e conceito de MDF e indiferença pré-flop;
- Entendimento de GTO pósflop, MDF, indiferença e polarização.
Voltando ao Nick…
De maneira bem resumida, tudo o que ele falava era, basicamente: entender as frequências do GTO, ver as frequências do pool, comparar os dois e criar exploits. Genial!
(Se você quiser ver mais sobre isso, tem uma entrevista minha com ele que vale a pena demais assistir. Clique aqui).
Naquela época o Nick ia lançar um curso e, para isso, ele fez diversas lives, divulgou muito material. O que eu fiz? Peguei toda aquela ideia e fiz por conta. Antes de ele lançar o curso, eu já tinha feito tudo no braço e já tinha os dados que ele tinha. Mas ter os dados não era o mais importante. O que realmente importa é tudo o que eu aprendi fazendo tudo isso.
Foi assim que eu percebi que para entender o jogo, além de aprofundar cada vez mais na parte teórica, podemos começar entendendo as frequências e lógicas do jogo de maneira geral. E o que é isso?
O GTO é o jogo perfeito do poker, e para saber o jogo perfeito temos que entender como ele joga, de maneira geral, nos 1755 flops estrategicamente diferentes existentes, certo? Para isso precisamos calcular tudo isso, e é aí que começa o grande entendimento do jogo.
A primeira coisa que se deve fazer é entender as frequências gerais do poker. Isso é: Single Raised Pot; BTN versus BB; quando o BTN cbeta no geral?
“Ah Zinhão, mas cada board é diferente”. Claro! Existem boards e várias categorias diferentes, mas, no geral, quanto é isso? Quais sizings o button usa? Foi assim que eu comecei a desvendar o poker, e é assim que eu sugiro que você aprenda.
O BTN cbeta 60%, a maioria da sizing é baixa e usa um pouco de sizing polarizada, média 2/3 a 3/4 do pote, e um pouco de sizing geométrica. Isso já é uma puta informação para você que está começando e já era uma puta informação para mim naquela época. Nós rodamos as frequências médias em uma média de todos os boards possíveis e a média geral é de 60%. Opa, temos um ponto de partida, o resto a gente vê depois.
Existe uma ferramenta do PioSolver – que agora tem também no GTO Wizard – chamada Aggregated Reports. Mas lembre-se que eu estava em um cenário acabando de descobrir o Solver, e não sabia exatamente como o GTO jogava.
Eu dediquei muito tempo da minha vida fazendo um trabalho que hoje você pode simplesmente pagar uma mensalidade para o GTO Wizard e ter tudo pronto. Foram anos de trabalho criando reports no Hand2Note, rodando Aggregated Reports no braço no PioSolver e em um notebook horrível, para conseguir ter a informação que hoje se tem muito fácil. É a evolução das coisas, mas utilizem isso bem e deem valor. E entendam o passo a passo lógico que existe por trás do poker e por trás do entendimento e da construção das estratégias.
(Talvez por isso hoje eu dê muito valor, porque eu sei o quanto de esforço eu coloquei em desvendar tudo isso sozinho).
Acredito que me aprofundar no estudo do entendimento das frequências gerais foi o passo mais importante. Aprendi quanto cada jogador tem que betar em cada situação; mais ou menos qual sizing e o porquê – sigo aprendendo sobre isso todos os dias, portanto não se cobre excessivamente.
Depois foi a vez de estudar os adversários: ver onde eles erravam e aprender como explorar essas tendências. Só estudando e rodando simulações dia após dia, vendo os leaks dos adversários e observando como eles jogavam, eu já consegui espancar a NL25 facilmente, fui pra NL50, NL100 e cheguei na NL200 muito rápido.
Mas ainda havia muito o que aprender. Eu ainda cometia erros básicos de entendimento de teoria. Em 2018/2019 eu tive um a-ha moments que, ainda hoje vejo jogadores de highstakes que não entendem, não sabem dessas coisas extremamente básicas e eu fico perplexo. O poker é um jogo relativamente limitado, apesar de parecer muito simples e ao mesmo tempo ser muito complexo.
Você pode (pósflop) apostar ou dar check, ou pode foldar, pagar ou aumentar. Muitas vezes vamos tomar a decisão correta sem querer, mas é muito difícil tomar todas as decisões corretas sem saber o que está fazendo. Por isso o meu objetivo sempre foi tomar a melhor decisão e entender cada vez melhor todas as interações para que eu não erre!
Eu posso até não tomar a melhor linha diversas vezes; posso missar algum exploit contra um jogador X ou Y, mas eu tenho certeza de que eu vou tomar a melhor decisão, ou a mais segura, com as informações que eu tenho. Se jogador X realmente só faria tal jogada por valor com um certo tell e algum jogador de live acreditaria nisso e tomaria uma decisão melhor do que eu, tudo bem, mas eu não vou colocar o meu dinheiro em informações subjetivas pouco concretas, com um grau baixo de assertividade. Poker é ciência.
Vamos relembrar todo o aprendizado até aqui?
- Fundamentos básicos do jogo: EV, MDF, Pot Odds;
- Ranges pré-flop e interações pré-flop de MTT;
- Ranges pré-flop de cash game, frequências e conceito de MDF e indiferença preflop;
- Entendimento de GTO pósflop, MDF, indiferença e polarização;
- Entendimento das frequências gerais do jogo;
- Entendimento dos leaks do field.
Vai chegar um momento – mas vai demorar bastante – que você vai ser apresentado a todos os conceitos do poker. Depois disso não terá nada muito novo. A diferença estará em o quão profundo você consegue entender essa interação, porque haverá sempre uma “briga” do que é mais relevante/vale mais naquela situação. A distribuição de equidade do seu range, o spr, a dinamicidade do board, a quantidade de mãos fortes, médias ou air que você vai ter.
Voltando à minha história…
Nesse momento eu já estudava bastante MDA, estava grindando NL200 e ganhando bastante dinheiro. Eu e o Saulo fazíamos sessões semanais de estudo e conversávamos todos os dias, trocávamos ideias, jogávamos os mesmos limites e nas mesmas salas.
Então eu tive um grande a-ha moment: nós estávamos nos baseando nos spots de bluffcatch em frequência com o qual o pool blefava. Se a frequência era menor do que o GTO, a gente tratava como underblefado e se era maior, era overblefado. Hoje pode parecer muito fácil porque tanto o conhecimento teórico como o conhecimento do próprio Hand2Note já está muito expandido, mas na época éramos nós dois, o Nick e outros poucos jogadores, que haviam comprado o Nightvision, que pensavam poker dessa maneira e iam atrás dessas informações.
Eu tenho 99% de certeza que eu fui o primeiro cara do mundo a ter esse insight, porque alguns meses depois o Nick fez uma call com a gente em que explicamos isso a ele e eu vi o sorriso no rosto dele como quem diz “esses fdps sabiam disso antes de mim”(hahaha).
Foi assim que eu me dei conta de que nós tínhamos que olhar a range composition dessas situações para escolher entre dar bluffcatch ou não. É óbvio, como eu fui burro! E olha que eu já sabia bastante de teoria, viu? Mas era algo que passava despercebido e nós também não tínhamos olhado muito para bluffcatch river. Os leaks de overfold eram tão grandes que explorar o field em outras streets já era o suficiente e já dava bastante trabalho.
Então nós começamos a olhar as databases e era coisa de louco: os fishes estavam nos blefando demais, e a gente foldando! Foi aí que eu virei redliner!
Ah! E tem um detalhe: muita gente não olha para a frequência, e frequência também é importante, além da range composition! Vai impactar o EV e tem diversas situações que preferimos dar call ou fold numa mão close em street anterior já sabendo por database se a população vai betar com mais frequência ou menos do que deveria, e isso muda completamente a realização da nossa equidade.
Nessa época o meu jogo era bem simplificado, mas a gente matava muito hard a NL200, e já ganhava um bom dinheiro! Essa foi a época da minha vida que eu mais grindei e que eu mais senti prazer em sentar e imprimir dinheiro, mesmo. Eu sempre tive muito a característica de pegar um desafio, solucionar, perder a graça e partir para o próximo, por isso que eu sempre fui muito obcecado por move up e novos desafios, eu me entedio fácil com coisas fáceis.
Durante uma conversa com um amigo canadense (um abraço pro Cédric Houle, mais conhecido como thejericho2) que já estava jogando NL1k e NL2k, ele me disse “pô, você e o Saulo são os melhores regs da 200z, vocês têm que jogar 500”, e isso me deu um empurrão e eu parti pra 500z.
Os desafios foram grandes, o meu jogo ainda era simplificado demais pra 500z. Eu consegui bater, mas patinei bastante. Então o Saulo teve o insight de dar um passo atrás e começar a jogar um jogo mais sólido e menos explorativo, e foi isso que percebemos nesse jump: os jogadores eram muito melhores, haviam muito menos regs (então éramos spottado muito mais facilmente), e era necessário ter um jogo mais baseado no “pseudo gto”; então partimos pra isso.
Nessa época o meu jump de entendimento teórico foi absurdo. Comecei a entender diversas coisas de teoria que eu não entendia ou que eu entendia e não estava internalizado tão bem.
Todos esses tópicos podem ser quebrados em micro tópicos que vão dar toda a visão que você precisa pra masterizar o poker; todos têm micro interações que você vai descobrindo e entendendo cada vez melhor dia após dia, estudo após estudo, sessão após sessão. Não se sinta overwhelmed, não se sinta pressionado em ver de uma só vez todo esse conhecimento que você ainda tem que entender.
O poker é maravilhoso por isso: sempre tem o que aprender e tudo no seu devido tempo.
Temos que nos acostumar a ir “trocando a roda do carro com o carro andando”. Mas a vantagem é que nessa jornada você vai ganhando dinheiro e ficando melhor para ganhar ainda mais dinheiro, e com disciplina e estudo você melhora bastante e muito rápido.
Tente não ser tão perfeccionista e aceite que você não vai dominar todas as interações de todas as maneiras, nem vai decorá-las sempre. Mas você tem todas as armas para ir desvendando isso aos poucos.
Eu sei que pode ter sido muita informação nesse e-mail e a minha intenção aqui não é te deixar sobrecarregado, mas não encontrei maneira melhor de começar minha participação nessa newsletter do que resumindo estes 10 anos de carreira em um post.
Fique tranquilo, porque daqui para frente eu detalharei para vocês como eu fui aprendendo tudo isso e falarei também sobre técnicas de como ensinar e aprender.

Abraços,
Zinhão